quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Fight or flight

Parece que as vezes precisamos olhar para nós mesmos, não por orgulho ou admiração, mas para ver o que estamos fazendo. Por mais que podemos não dar a mínima para o que de fato estamos fazendo com a nossa vida, é bom olharmos para ver se pelo menos sabemos como estamos.
Pensamos que estamos amando e permitimos sofrer, mas na verdade estamos só nos degradando e se apoiando em alguém. Às vezes é preciso dar razão a seriedade, uma hora saturno chega e dá uma organizada, por mais que eu goste de viver de instintos e desapego, preciso tornar a vida vivível, sem ficar tropeçando no passado. Parar de reclamar de uma vez por todas, deixar de ficar por baixo, por mais que possa cair, não ter medo de ficar em pé, pelo menos viemos para isso.
Uma vez vi que áries precisa despir-se da sua capa protetora para viver intensamente, acho que finalmente estou entendendo isso. Talvez antes até precisasse dela, mas agora é lutar ou correr, não há mais tempo para tentativas. Isso é bom também porque com o tempo as experiências são mais reais na nossa vida, pensamos melhor um pouco antes de ficarmos desesperados porque a correspondência não chegou ainda. Mas, acho que o instinto que diz ser criança ainda existe, pode existir, e podemos fazer dele o que talvez nem fizemos antes. Acho que somos um só durante toda a vida, por mais que diga-se que muda e tal, mas acho que ainda permanece naquela coisa da essência e com o envelhecer talvez ganhamos algumas recompensas, só por poder por um simples momento ter paz de espírito por finalmente ter visto um nascer do sol ou por realmente isto ter feito alguma diferença.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Liberdade virtual

Pela democracia pós-moderna, pela estratégias publicitárias, pelas placas indicativas que nos fazem parte do contrato social e nos encaminha para aceitação total.
Pelo o ar que respiramos e a ideologias que aceitamos ou contrariamos, pelo céu que vemos e não alcançamos, pelas pessoas que não podemos amar, que não podemos falar, pelos sapatos que não podemos tirar, pelos sapatos que devemos usar, pela cor da camisa que devemos combinar, pela lei que devemos seguir, pela lei que não tem mais sentido, pela nobreza de seguir as leis, pela falsa ideologia de contraria as leis, pela rotulação que não podemos gostar, pela rotulação que não nos colocamos, pelos signos em quadrante, pelos signos no mesmo elementos, pelos infernos astrais, pelos paraísos astrais, pelo medo da dor de dente.
Pelas flores que só enfeitam caixões, pelas cidades cinzas, pelos campos desabitados, por pessoas a 50cm que não dirigimos a palavras, por padrões de comportamentos, por padrões de comportamento disfarçados de subversivos, por subversivos dentro de uma padaria.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sistema Fechado

A que elo pertence o operário João, sua vida seria mais do que a fábrica que trabalha ou tanto quanto. Seus sonhos passam tela da TV ou do bairro que mora, do alcance da sua vista no horizonte, das entrelinhas no jornal de ontem.
Quantas andas sua vida, sua família, seu lazer, seu prazer... de vida.
João caminha pro trabalho, mas está sem destino mesmo tendo estando com caminho certo. Pensa em tudo que gira fora de sua suposta prisão.
Volta para família, pois que não a desgoste, sente que algo separa-o de cada integrante dela. Sente tão incompreendido mas ainda pelo menos a tem e por isso não reclama pois há reclama esteja aí, por mais que contentamento esteja descontente.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Carcereiro

Me deram motivos para carregar essa culpa pelo crimes cometidos contra a sociedade, me deram a culpa pelos crimes cometidos contras as pessoas, me deram a culpa pelos crimes cometidos por fome e por dinheiro, por diversão, por paixão. Me deram a culpa pelos crimes cometidos por ódio, me deram a culpa pelos crimes cometidos por tédio, me deram a culpa pelos crimes cometidos por não aceitar as leis, me deram a culpa pelos crimes cometidos contra a não aceitação desse crimes, me deram a culpa pelos crimes cometidos contra a natureza, me deram a culpa contra os cometidos contra a moral, me deram a culpa pelos crimes cometidos contra os costumes, me deram a culpa pelos crimes cometidos contra os hábitos, me deram a culpa pelos cometidos pelo prazer, me deram a culpa pelos crimes cometidos contra a saúde.
Culpado estou, e me deram a punição. Me deram muitas punições e me cobraram sua aceitação. Me deram as punições e não cobraram minha mudança, quiseram ver eu sofrer a punição e nada mais e abandonaram o caso e se mais crimes cometi não se interessaram. Depois disse os crimes não foram significaram da mesma forma para mim e me ensinaram que estes não proibidos, só criticados de vez em quando.
Agora escolheram outras regras, outros crimes de que não sou perdoado. Estou proibido de não seguir a moda, de não ler os jornais, de não assistir televisão, de não seguir o trânsito, de não criticar o que todos criticam, de não demonstrar emoções vazias, de não amar ou odiar algo, de não participar de todo esse barulho.
Me deram a chave e não disseram como usá-la. Havia lugares que ninguém mais se interessava, sensação que não havia nos outros lugares. Porém vazio esse lugar parecia triste, mas parecia tranquilo, parecia frio mas parecia livre.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

nevermind, nevermore

O vento soprou na capela, as pessoas se agitaram e permaneceram quietas. O sussurro dos seus amigos os ventos anunciaram o que seria dessa estação do ano, uma época repletas de novidades ofuscadas. A população aldeã esperava ansiosa pela solução do grande problema de seus monstros internos, uma solução estrangeira ou divina, mas aonde estava?
Disse o senhor curandeiro que os problemas eram seus e as soluções suas, digo, da cidade. Mas ainda sim esperavam pela coisa tal mágica que se há de vir. Vindo muitas pessoas estranhas de outros povoados ou jovens que apareciam das escolas como se nunca tivessem antes estado mesmo sempre estando mas como se criassem um novo paradigmas seus e talvez sumisse com o decorrer dos anos. E viam a decadência do lugar parecer iminente e inevitável, porém a máquinas continuavam a rodar a cada nova segunda-feira mesmo enferrujadas e faziam soar uma melodia que caracterizava a cidade.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

tenderness

Suave é a noite, insustentável são os sentimentos, obtuso são os atos e árdua é a compreensão.
Cai o dia e já estamos sem vida, como nossas mentes pesadas procuramos algo que nos fortaleça, que nos energia, essência. Mas o que encontramos são todos os pequenos vícios parasitas e aproveitadores da nossa alma. Terrenos nossos pensamentos questionadores, torturadores, inquietantes cortam nossa tranquilidade.
 Que faremos a noite, quem encontramos... na rua, nos nossos pensamentos, na ponte. Nossos impulsos nos deixam mais parte do adrenalina e  mais longe da satisfação. Meus amigos todos estão se divertindo, nossos sentimentos estão presos num cofre enorme que procuramos ainda a chave. Começa a festa com seus brilhos e as cores de noite tem outro tom, a sombra elegante. A compreensão noturna que nos perdoa os erros do dia, nos traz disfarça fantasia e nos torna heróis, heróis de papel. Vampiros saciando sua fome e dormindo durante o dia, mas não sei se esse ainda ou foi meu papel, afinal roubar a essência vital das pessoas é perigoso, absorve assim o lado bom e ruim das pessoas.
O velho passa pela manhã e recolhe o resto dos sentimentos deixados nas garrafas jogadas na calçadas ou quebradas por aí, ver os sonhos perdidos e a esperança desvanecendo, sabe o processo que essas pessoas devem passar mas não acha que isso seja comemorado, vê os pequenos sorrisos dos que não conseguem sorrir e deixa os ir em paz.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

por um leitor

Quantos minutos leva pra escrever uma sentença, e quantos leva pra serem desmanchada-a. Cinco meses sem escrever, cinco horas de dor e alguns minutos de felicidade.
Obsessões mil fazem uma noite solitária. Carros velozes fazem um sábado entediante. Ruas nuas molhadas depois da chuva em nossos lares ligados nas luzes da televisão sem um pingo de atenção.
Depois várias estradas e arquivos salvos e pacotes de bolacha não resta mais gelo para o refrigerante e nem solas nos sapatos só folhas meio riscadas com velhas anotações.
Vinte árvores cortadas na avenida que agora faz muito sol ladeada de prédios envidraçados a ar-condicionado com tanto funcionário a roupa de grifes sem menor competência mas obediência e obsolência.
Não me faça chorar, rezar, voltar, trabalhar.