sábado, 31 de agosto de 2013

Olhares

Às vezes achamos que podemos entender as pessoas, por algum gesto ou algum olhar, mas infelizmente e também felizmente entendemos poucas coisas. Procuramos sempre se identificar com as pessoas que tem o mesmo estilo que nós ou tenha pelo menos alguma coisa em parecido e partir disso achamos que todo o resto será do jeito que a gente pensa. Ficamos animados a conversar sobre os assuntos que gostamos, aquela banda indie que só vocês conhecem ou compartilhar um cigarro.
Mas uma regra que muitas vezes esqueço é que é muito difícil tirar uma conclusão duma pessoa assim que conhecemos, que só conseguimos saber que ela realmente é depois de passamos momentos de alegria e euforia e também de muito tédio e talvez tristeza. Só assim vamos conhecendo as nuances das pessoas e só assim começamos a deixar de ficar surpresos e começarmos a ficarmos satisfeitos com tais atos. As que podem mais nos ferir talvez sejam as pessoas que conhecemos pouco, muitas vezes achamos que elas gostam de nós ou inverso, mas depois um breve contato percebemos que pode ser diferente. Por isso as pessoas que conhecemos pouco nos dão medo, aquele segundo contato é pior que o primeiro.
Já as pessoas que são nossos grandes amigos ou colegas de muito tempo a coisa é diferente, mas pode ser ainda pior, pois a distância nesse caso pode cortar intensamente. Quando vemos ou ouvimos algo que lembra alguma momento sentimos uma sensação de prazer que rapidamente se torna um vazio, sentimos uma vontade misturada de voltar ao passado ou de renegá-lo, mas mesmo assim queremos há uma forte necessidade de ter contato com aquela pessoa que lhe fez compartilhar fortes emoções. Quando a gente tem um vínculo muito forte com uma pessoa, sabemos que se ela ouvisse tal música iria pensar a mesma coisa que a gente, e isso é bom e ao mesmo tempo ruim, porque sabemos que somos pessoas sintonizadas mas destinadas a nem sempre estar por perto ou às vezes em caminhos diferentes.
Por isso penso que alguém que a gente faz sorrir é uma pequena felicidade que essa pessoa pode experimentar para toda sua vida, que talvez a única coisa com que podemos contar são os momentos que aconteceram e que não temos nenhum certeza quando poderemos vivenciar de novo.
Uma tortura é acreditar nas pessoas mais do que elas mesmo acreditam em si, pode ser que alguém também faça isso com a gente. A vontade de ajudar é menor do que a abertura das pessoas para o mundo, para expor suas mágoas, estamos trancados dentro de nós mesmo observando o que se passa na vida por uma pequena fresta, fugindo de quem tenta ver mais além. Ao mesmo tempo desejando ser compreendido ao mesmo contestado, uma enorme dualidade entre aproximação e enclausuramento. Um tal sofrimento é mais um do muitos sutis sofrimentos que a vida pode nos dar com a insegurança de como vamos viver ao acordamos amanhã, não nos damos conta o tão difícil que é tudo isso e que precisamos muito saber que alguém que vive com todas angústias da vida possa estar do nossa lado ajudando-nos a nos informar do próximo obstáculo mais a frente. Mesmo se isso só acontecer entre olhares.

foto - http://www.flickr.com/photos/gonza_photographie/

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